Movimento popular comemorado em todo o mundo, o Outubro Rosa simboliza a luta contra o câncer de mama e visa chamar a atenção para a realidade atual da doença e, principalmente, para a importância do diagnóstico precoce e a prevenção.

Para quem não sabe, a primeira iniciativa no Brasil em relação ao movimento – que começou lá nos Estados Unidos – foi a iluminação em rosa do  monumento conhecido como Obelisco do Ibirapuera, em 2 de outubro de 2002.

E como estamos em outubro, não poderíamos deixar de citar a importância da data como um alerta para que todas as mulheres façam o autoexame e estejam atentas a quaisquer sinais do câncer de mama. Mas vamos além e abordaremos a importância do acompanhamento médico em mulheres que têm histórico familiar de câncer de mama. O que você sabe sobre isso?

A genética é um fator de risco

Entre os fatores de risco para câncer de mama, o histórico familiar está entre os principais. Isso não significa, porém, que se uma tia de primeiro grau teve câncer de mama, a sobrinha também terá. E nem que a mulher está imune à doença caso não tenha histórico genético.

Em cada 8 a 10 mulheres, uma desenvolverá câncer de mama no decorrer da vida. De cada 100 mulheres brasileiras com câncer de mama, 10 a 15 têm uma forma hereditária da doença, causada principalmente pela mutação nos genes BRCA1 e BRCA2. Mulheres que nascem com essa mutação possuem chances de 80% até 90% de desenvolver o câncer.

Nem todos os parentes herdam, portanto, a mutação genética, mas naqueles que os genes estão presentes, o risco de desenvolver câncer de mama e/ou ovário é aumentado.

Exames de detecção de mutação genética podem constatar a presença dos genes alterados BRCA1 e BRCA2, mas há outros sinais dessa herança familiar que pode – atenção! – ser transmitida pelos dois sexos e para os dois sexos:

– o câncer familiar incide em pessoas jovens, geralmente com menos de 30 anos (o que é raro em mulheres sem mutação);

– o câncer pode se manifestar nas duas mamas ao mesmo tempo ou com um pequeno intervalo entre elas;

– câncer de ovário nas mulheres e câncer de mama nos homens podem ser sinal da mutação.

Ou seja, se você tem uma tia que teve câncer de mama aos 60 anos, provavelmente não foi decorrente de mutação do gene BRCA1 e BRCA2 na família; por outro lado, se ela foi acometida pela doença ainda jovem, é aconselhável que você procure um médico.

O que fazer?

Mulheres que têm predisposição para o câncer de mama em sua genética devem fazer acompanhamento com um mastologista e passar por exames específicos, como mamografia e ressonância nuclear magnética, pelo menos a cada seis meses a fim de garantir diagnóstico precoce.

A melhor indicação, no entanto, é a cirurgia profilática para retirada das mamas e ovários depois que a mulher tiver tido filhos. Isso, é claro, com o consentimento da mulher, a orientação do mastologista e ajuda psicológica. 

Apesar do assunto ser sério, não podemos fugir dele. Afinal, o diagnóstico precoce é imprescindível para garantia da saúde e bem-estar das mulheres. Vamos nos prevenir?