A melatonina é um hormônio naturalmente produzido por uma pequena glândula endócrina localizada próxima à região central do cérebro, a pineal. Sua principal função é sinalizar para os órgãos do corpo humano quando é a hora de adormecer, inibindo os neurônios de vigília do hipotálamo e induzindo o sono. 

Ainda assim, mesmo com a produção do hormônio acelerada, muitas pessoas costumam ter dificuldade para dormir. E é por isso que foram criadas suplementações de melatonina – e que podem aparecer no formato de pílulas, gotas ou balas. Bastante populares nos últimos anos, elas têm sido procuradas para quem busca qualidade do sono.

Sem registro no Brasil

A substância conhecida por induzir o sono não tem registro no Brasil como medicamento, mas desde 2017 pode ser encontrada em farmácias de manipulação. Isso porque uma decisão judiciou contrariou a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, e autorizou sua importação.

A melatonina só pode, no entanto, ser usada como matéria-prima para manipulação de medicamentos, cremes ou produtos, diferentemente da forma vendida no exterior: a chamada melatonina industrializada.

Quem conhece o medicamento industrializado – e costuma fazer uso dele – pode trazer em bagagens de mão ou mesmo importado via internet, desde que com receita médico. Mas, afinal, você sabe quais são os benefícios e os riscos da melatonina?

De um lado, os prós!

O principal argumento de quem faz uso da melatonina é sua função como reguladora biológica e indutora do sono, mas não o único. 

A secreção da substância, além da glândula pineal, também se dá em tecidos e células do organismo como intestino, fígado, sistema imunológico, cérebro e musculatura esquelética. Por isso, a melatonina também é investigada como possível solução para tratar depressão, enxaqueca, obesidade, diabetes e até Alzheimer – mas não há consenso científico sobre esses supostos benefícios.

O uso dermatológico da substância também tem sido defendido por especialistas. A versão sintética, ao ser aplicada na pele, pode retardar os efeitos do envelhecimento; ao ser usada no couro cabeludo, pode inibir a queda dos fios.

Do outro lado, os contras!

A melatonina começa a ser produzida pelo organismo por volta das 20h. Uma das primeiras sensações é o sono, mas outros efeitos são a modificação para o organismo entrar em jejum, a redução da pressão arterial e a alteração na temperatura corpórea. 

Como o hormônio tem atuação em vários sistemas do organismo, portanto, está longe de ser inócuo. Alguns efeitos adversos da administração incorreta da melatonina são a resistência à insulina – e predisposição ao diabetes –, a intolerância à glicose e a hipotensão.

A quantidade a ser administrada para o paciente no começo da noite não pode ser grande o suficiente para permanecer no organismo durante o dia. O produto não deve, portanto, ser consumido sem orientação médica e de forma inadequada.

Apesar dos inúmeros benefícios da melatonina, para nossa saúde e bem-estar é sempre importante que haja prescrição médica. Não vamos arriscar, não é mesmo?