Sobre o Dalai Lama

Jampel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso, seu nome verdadeiro, filho de agricultores da aldeia de Takster. Na infância dizia que queria ser engenheiro. Foi reconhecido como a 14ª encarnação do príncipe Cherezig quando tinha apenas 2 anos. Aos 4 anos, deixou sua família e mudou-se para o Palácio de Potala, em Lhasa, capital do país. Lá ele passou a ser preparado para se tornar um Dalai Lama. Aos 16 anos, 2 anos a menos do que manda a tradição, assumiu o poder político no Tibete em 1950, mesma época em que a China iniciou a ocupação do país.

A fuga para o Exílio

O Dalai Lama recebeu um convite para assistir a uma parada militar fora da capital tibetana, Lhasa. O evento foi remarcado em virtude de compromissos do próprio Lama. Mas o comitê do Partido Comunista Chinês insistiu para que ele fosse, porém sem a companhia dos soldados do exército tibetanos, somente por seguranças desarmados. Devido a esse estranho fato, surgiram boatos de que seria uma emboscada para que Pequim pudesse capturar o Dalai Lama.

No dia 17 de março de 1959, a noite, um pouco antes das 22 horas, sua delegação foge do país pelo Himalaia, em direção ao Nepal. Com o território tibetano sob controle da China, eles atravessaram o país e cruzaram a fronteira. O Lama estava disfarçado de soldado para não ser detectado pelas tropas chinesas. Após dias de caminhada chegaram chegaram até a capital Nepalesa Katmandu. Em seguida sua delegação rumou em direção ao norte da Índia para a cidade Dharamsala. No total foram 13 dias de caminhada pelo Himalaia.

A fuga do 14º Dalai Lama ocorreu em meio ao conflito armado entre as forças da rebelião tibetana e o exército chinês. As hostilidades iniciaram em 1956 no Kham e nas regiões de Amdo. O Tibete era um reino teocrático, onde o líder religioso também era o líder político. O Tibet sempre teve uma ligação milenar com os chineses. O governo comunista assumiu a China após a guerra civil em 1949, considerando a região do Tibet como uma Província. As tropas chinesas então anexaram a região em 1950, promovendo violenta repressão.

O Caminho do Himalaia

O caminho utilizado pela delegação do Dalai Lama foi uma antiga rota em meio ao Himalaia que liga Lhasa, capital do Tibete, até Katmandu, capital do Nepal. Lhasa foi o ponto de partida um dos lugares mais fabulosos da Ásia. 

A primeira imagem para quem chega à cidade de Lhasa, é o Palácio-monastério de Potala, que fica encravado no alto duma colina. Era exatamente nesse palácio-monastério em que vivia o Dalai Lama antes de a invasão chinesa. O edifício foi construído no século 17, é um dos mais bonitos do mundo, cheio de tesouros, na pressa, o líder tibetano teve que deixar tudo para trás.

Na fuga eles percorreram um trecho entre Lhasa e Kathmandu que tem cerca de 900 quilômetros de extensão. Não era o caminho mais curto entre as duas cidades, mas foi escolhido como rota de fuga por ser a mais difícil, onde o frio, o isolamento e a altitude são transtornos permanentes, impedindo que os soldados chineses imprimisse uma perseguição a sua delegação. 

Em duas semanas eles viajaram quase 1.500 km em altitudes de mais de 5.000 m. A fuga através do Himalaia, a mais alta cordilheira do mundo, foi um feito incrível para o jovem Lama.

Em 19 de abril, ele é recebido pelo primeiro-ministro indiano Jawaharlal Nehru em Nova Délhi, capital indiana. A Índia passa a ser a sua casa. Até hoje o Dalai Lama segue lutando pela soberania do Tibete e se recusa a aceitar a Região Autônoma do Tibete da República Popular da China, estabelecida em 1965.

Gostou da nossa matéria? Fique ligado que em breve falaremos mais dessa incrível viagem que o Saber Viver TV fez ao Nepal.